O profissional do Direito do futuro, que já se tornando presente, utilizará mais o cérebro e menos as mãos com a “Inteligência Artificial”.

Fonte: http://www.migalhas.com.br/dePeso/16,MI252576,101048-O+mercado+juridico+em+2017

José Paulo Graciotti

Se 2016 foi muito movimentado no âmbito dos acontecimentos jurídicos e mudanças tecnológicas, que começaram a abalar a estrutura de governança do tradicional mercado jurídico brasileiro.

Estou me referindo ao crescimento vertiginoso das tecnologias da chamada “Inteligência Artificial”. Participo há 20 anos de uma associação voltada ao estudo e desenvolvimento de tecnologia para escritórios de advocacia nos EUA e para se ter uma ideia, entre 2015 e 2016 apareceram 35 empresas com produtos e serviços voltados a esse mercado com utilização de tecnologias cognitivas.

Para contextualizar melhor, o termo “Inteligência Artificial” na verdade, abrange uma série de tecnologias e algoritmos matemáticos e estatísticos que permitem que a máquina “aprenda” cognitivamente, além do binário sim ou não, e consiga tomar decisões baseadas em experiências anteriores.

Todas essas tecnologias estão permitindo:

1 – Identificação cognitiva de documentos e a extração dos temas abordados internamente não apenas pelas palavras contidas, mas pelo seu significado semântico.

2 – Classificação e distribuição automática desses documentos para os profissionais que detêm o conhecimento coerente ao seu conteúdo.

3 – Pesquisa inteligente das informações necessárias à elaboração de um novo documento tais como: jurisprudências, doutrinas, caso anteriores etc.

4 – A própria elaboração automática de documentos baseada em respostas a perguntas temáticas. Exemplo: criação de contratos sobre temas específicos.

5 – Análise estatística de julgamentos prévios e previsão de “ganho ou perda” de determinada tese em determinado Tribunal.

Tudo isso está impondo ao mercado jurídico inteiro (escritórios, departamentos jurídicos, até juízes e tribunais) uma mudança na forma de se olhar, entender, se comportar e principalmente de como e gerenciar a profissão advocatícia.

O profissional do Direito do futuro, que já se tornando presente, utilizará mais o cérebro e menos as mãos!
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*José Paulo Graciotti é engenheiro e consultor, membro da ILTA– International Legal Technology Association e da ALA – Association of Legal Administrators.

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